terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Pará bate novo recorde com apreensão de 16,6 toneladas de drogas em 2025


O governo do Pará estabeleceu um novo marco histórico no combate ao narcotráfico. Em 2025, o estado atingiu o recorde de 16,6 toneladas de drogas apreendidas, o que representa um aumento de 25% em relação ao volume confiscado em 2024. Os dados, consolidados pela Secretaria de Inteligência e Análise Criminal (Siac), vinculada à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), refletem o impacto dos investimentos em tecnologia e policiamento hidroviário.

Estratégia e Resultados
O titular da Segup, Ed-lin Anselmo, destaca que a superação das metas anuais é fruto de uma política de segurança continuada. “O Pará tem batido recordes anuais e, em 2025, superamos as 16 toneladas, deixando para trás o total do ano anterior. Nos últimos seis anos, acumulamos mais de 63 toneladas confiscadas”, afirmou o secretário.
Detalhamento das apreensões em 2025:
• Cocaína: 6.673,893 kg

• Maconha: 10.018,359 kg

• Total: 16.692,253 kg

No acumulado dos últimos sete anos (2019-2025), o Sistema de Segurança Pública já retirou de circulação o montante expressivo de 67,3 toneladas de substâncias ilícitas.

O Poder das Bases Fluviais
Um dos pilares para o sucesso das operações é a implementação das Bases Fluviais Integradas em pontos estratégicos, como Breves e Óbidos. Estas estruturas funcionam como centros de comando flutuantes que integram diversas forças de segurança para retomar o controle das rotas aquáticas, historicamente utilizadas para o escoamento de drogas e produtos de crimes ambientais.

Para fortalecer esse monitoramento, o Estado investiu na aquisição de seis lanchas blindadas e 19 embarcações leves. “Atualmente, é possível observar as lanchas e alcançar locais antes inacessíveis”, reforçou Ed-Lin Anselmo.

Expansão em 2026

A presença estatal nos rios deve ser ampliada ainda neste semestre. Está prevista a instalação de uma nova base fluvial integrada de fiscalização no Baixo Tocantins. A unidade visa intensificar o combate ao tráfico, ao contrabando e aos roubos a embarcações, elevando os níveis de segurança para a população ribeirinha e garantindo a continuidade dos resultados positivos no estado.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Entenda o que é simbiose neural como terapia para desordens afetivas e o dilema evolutivo da espécie humana


Em atividades como correr ao ar livre, os fractais visuais das árvores, a irregularidade do terreno e os sons da mata ativam redes de atenção involuntária, permitindo o descanso do córtex pré-frontal e favorecendo a neuroplasticidade, num fenômeno que pode ser descrito como “simbiose neural”.
*artigo: Walace gomes leal ( Universidade Federal do Oeste do Pará ( Ufopa)*

Uma das descobertas mais notáveis da neurociência moderna é a de que o cérebro adulto é capaz de produzir novos neurônios, em diversas espécies de mamíferos, incluindo humanos. Por mais de 30 anos, a ciência negou essa possibilidade, que foi confirmada por diversos trabalhos importantes.

Além de aumentarem em quantidade, parece que eles desempenham funções relevantes. Várias evidências apontam que esses novos neurônios têm um papel essencial na flexibilidade cognitiva, aprendizagem e especialmente na “memória de separação de padrões”, que nos permite recordar situações parecidas evitando que se misturem, como diferentes encontros com a mesma pessoa.

Estudo recente do neurocientista sueco Jonas Frisén, publicado no periódico Science, confirmou que essa neurogênese é contínua no cérebro humano. No entanto, experimentos com animais mostraram que o estresse crônico pode impedir a neurogênese e até mesmo prejudicar a fisiologia normal do cérebro na região do hipocampo.

Isso é um sinal de alerta para quem sofre de transtornos afetivos, incluindo depressão, ansiedade, burnout e transtorno de estresse pós-traumático, que acometem mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Ao mesmo tempo, essas descobertas levantam a interessante possibilidade de que terapias inspiradas na neurogênese – incluindo exercícios aeróbicos e meditação – possam se tornar uma ferramenta importante na psiquiatria e psicologia.

Um interesse acadêmico e pessoal
Esse tema é especialmente importante para mim, pois, além de neurocientista do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Oeste do Pará (ISCO-UFOPA), também lutei por dois anos contra esse inimigo invisível que assola as mentes. Sentia sintomas de depressão e burnout. A sensação fenomenológica, no entanto, era de estar enjaulado, desconectado, sem motivação.

02 de Fevereiro: Odoyá Iemanjá

O hábito amplamente difundido de passar o réveillon de branco na praia tem origem nos rituais em homenagem à Iemanjá. Na primeira metade do século passado, umbandistas realizavam homenagens a Iemanjá no litoral vestidos dessa forma, oferecendo flores e espumante. A tradição se fortaleceu ao ponto das pessoas começarem a ir de branco para a praia mesmo se não tivessem a crença no orixá ou fossem da religião, virando o ritual do ano novo brasileiro que é seguido inclusive por aqueles que perpetuam a intolerência contra as religiões de matriz africana e indígenas.

Na tradição iorubá, o nome original é Yemanjá, com “y”. A expressão “Ye omo ejá” significa “mãe cujos filhos são peixes”. No Brasil, a grafia com “i” se popularizou.

Foto: Janail Peixoto / Nationaal Museum van Wereldculturen