A produção audiovisual “Esse Rio é Minha Rua 2” amplia o debate sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia ao retratar a realidade de comunidades ribeirinhas em Ananindeua. Gravado na Ilha de João Pilatos, o documentário, com 15 minutos de duração, integra uma iniciativa voltada à valorização de práticas culturais, econômicas e ambientais nos territórios insulares da região Norte.
Com direção de Zena Gorayeb e Judah Levy, e roteiro assinado por Zena Gorayeb e Ruy Montalvão, a produção adota uma abordagem construída em diálogo com as moradoras, buscando registrar saberes tradicionais e refletir sobre os desafios que envolvem a conservação ambiental e o desenvolvimento econômico nas comunidades ribeirinhas.
O filme dá continuidade a um projeto iniciado anteriormente na Ilha das Onças, em Barcarena, onde foram registradas experiências ligadas ao extrativismo do açaí. Na nova etapa, a narrativa desloca o foco para o protagonismo feminino, destacando a atuação de mulheres na preservação ambiental e na organização do turismo de base comunitária.
A produção foi viabilizada por meio da Lei Aldir Blanc, a partir de edital da Secretaria de Cultura de Ananindeua lançado em 2024.
A estreia aconteceu em 8 de março, no espaço Céu das Artes, em Ananindeua, reunindo moradores, convidados e participantes do projeto. A escolha da data remete diretamente ao conteúdo do documentário, que evidencia a centralidade das mulheres ribeirinhas nas dinâmicas econômicas e sociais da comunidade.
A narrativa acompanha o cotidiano de duas protagonistas: a extrativista de açaí e liderança comunitária Elisângela Silva de Souza e a guia turística Agnes Brenda da Silva Sousa. Ambas atuam em atividades fundamentais para a economia local, como agricultura familiar, extrativismo e iniciativas de turismo comunitário, práticas que articulam geração de renda e preservação ambiental.
Agnes Sousa afirma que “A participação no documentário foi marcante pra mim por vários motivos. Primeiro, porque me fez perceber o valor real do meu trabalho. Muitas vezes, a gente entra na rotina e acaba não se dando conta da importância do que faz. Além disso, foi uma oportunidade de dar visibilidade à comunidade, à sua cultura e ao seu modo de vida. Isso traz uma responsabilidade muito grande, que vai além de mostrar um lugar bonito. É sobre apresentar uma história real, construída por quem vive aqui todos os dias”.
Já Elisângela Silva destaca que “Esse documentário representa a minha vivência ribeirinha. Tudo o que fazemos depende do rio. É por onde nos locomovemos e, muitas vezes, a única forma de sair da comunidade. Ele também evidencia a força de um povo que não desiste, que trabalha, planta e colhe dentro do próprio território. Enquanto muitos pais saem para trabalhar fora, há toda uma estrutura familiar que permanece, com mulheres cuidando das plantações e da casa. É uma realidade própria, uma vivência diferenciada”.
O documentário também contextualiza a Ilha de João Pilatos dentro da região insular de Ananindeua, formada por cerca de 14 ilhas, segundo dados do IBGE. Entre as mais conhecidas estão Viçosa, João Pilatos, Santa Rosa, Mutá, Arauari, São José da Sororoca, Sororoca, Sassunema e Guajarina. Esses territórios mantêm uma relação histórica com atividades como pesca, extrativismo e agricultura familiar, além de desempenharem papel relevante na preservação da biodiversidade amazônica.
Zena Gorayeb afirma que “A realização de ‘Esse Rio é Minha Rua 2’ reforça a importância dos editais públicos de cultura como instrumentos fundamentais para viabilizar projetos que dão visibilidade a realidades muitas vezes invisibilizadas. Mais do que um registro audiovisual, o documentário é uma ferramenta de valorização cultural e de fortalecimento das comunidades ribeirinhas, evidenciando a potência dessas narrativas quando há investimento e continuidade nas políticas culturais”.
Além do filme, o projeto desenvolve ações sociais nas comunidades atendidas, incluindo atividades gratuitas de educação ambiental, práticas esportivas e iniciativas culturais. Essas ações ampliam o alcance da proposta ao incentivar hábitos sustentáveis, fortalecer vínculos comunitários e estimular o protagonismo local, especialmente entre crianças e jovens.
Fotos: Divulgação Esse Rio é Minha Rua 2
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