O clássico RE-PA deste domingo (08), válido pela quarta rodada do Parazão 2026, foi mais uma prova de que futebol não se decide apenas no papel. Diante de um rival que disputa a Série A do Campeonato Brasileiro, com orçamento muito superior e com elenco volumoso, o Paysandu entregou uma atuação madura, intensa e competitiva, mitigando com bola, organização e entrega uma desigualdade que, fora de campo, no momento, é grande.
Enfrentando um Remo que optou por um time misto, o Papão foi dominante em boa parte do confronto, especialmente no primeiro tempo. A equipe bicolor impôs ritmo, ocupou melhor os espaços e jogou o clássico com a fome de quem entende o peso simbólico e esportivo do RE-PA, enquanto o rival azulino teve dificuldades para se encontrar em campo – em um misto de desinteresse pelo jogo e de má organização.
O primeiro tempo foi o retrato dessa superioridade alviceleste. Bem organizado defensivamente e agressivo nas transições, o Paysandu abriu o placar em um belo gol de Ítalo, que finalizou com categoria após assistência precisa de Hinkel.
À beira do campo, Junior Rocha teve papel central nesse cenário. O treinador do Paysandu soube mobilizar o elenco, ajustar linhas e explorar as fragilidades do adversário, dando um verdadeiro “nó tático” no colombiano Juan Carlos Osório. Enquanto o Papão parecia saber exatamente o que fazer com e sem a bola, o Remo se mostrava previsível e desconectado.
O jogo, no entanto, também ficou marcado por uma arbitragem muito abaixo do nível que o clássico exige. A equipe liderada pelo árbitro FIFA Rodrigo José Pereira de Lima teve atuação confusa, insegura e decisiva negativamente. A falta de critério na aplicação de cartões e as próprias movimentações em campo ilustram a má qualidade da arbitragem do país – Rodrigo Lima é um dos “melhores” do Brasil (!).
No segundo tempo, com um jogador a mais, após à expulsão do jovem Brian Macapá, o time azulino cresceu um pouco e chegou ao empate em um lance infeliz para o Paysandu: gol contra de Quintana. O empate refletiu mais a circunstância numérica do que o que se viu em campo ao longo dos 90 minutos, sobretudo na etapa inicial.
O RE-PA terminou empatado, mas deixou mensagens claras. O Paysandu mostrou que, mesmo em um cenário de desvantagem estrutural, é possível competir, propor jogo e constranger um adversário com muitos recursos financeiros – realidade evidente desde 2023. Já o Remo sai com o alerta ligado: orçamento ajuda, elenco pesa, mas clássico se joga — e, quando o futebol entra em campo, nem sempre o dinheiro vence.
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