A Operação Passe Livre da Polícia Civil, que prendeu agentes públicos ligados ao Comando Vermelho em vários municípios do Pará, revelou um esquema ainda mais grave em Ananindeua. No município os investigadores identificaram indícios de extorsão contra motoristas de vans de passageiros e também de veículos particulares. As investigações mostram que o dinheiro arrecadado era destinado a financiar atividades da facção criminosa.
O principal alvo em Ananindeua é o agente de trânsito da Semutran Edinaldo Manoel Borges Damasceno. Ele é acusado de participar diretamente do esquema e está foragido desde o início da operação. Segundo a polícia ele utilizava sua função para intimidar motoristas e exigir pagamentos ilegais para permitir a circulação dos veículos. A prática é recorrente em Ananindeua, onde o transporte público é insuficiente e a população depende quase exclusivamente das vans para se deslocar entre os bairros.
A situação se agrava pela completa ausência de fiscalização da própria prefeitura. Desde o começo de outubro, a empresa responsável pelos radares e câmeras de monitoramento retirou todos os equipamentos das ruas depois de meses sem receber. A cidade ficou totalmente sem controle eletrônico de trânsito e sem suporte técnico. Esse cenário permitiu que grupos criminosos se aproveitassem da fragilidade institucional para intensificar práticas de extorsão.
Este não é o primeiro caso de um agente público de Ananindeua envolvido com o crime organizado. Em 2019 o então vereador Hugo Atayde, que hoje ocupa o cargo de vice-prefeito, foi preso por participação em grupos de extermínio e envolvimento na morte de um jovem do município. Ele chegou a usar tornozeleira eletrônica e atualmente responde em liberdade em um processo que permanece parado na Justiça. A reincidência de casos envolvendo servidores e figuras políticas demonstra um ambiente de vulnerabilidade institucional que favorece a infiltração de facções no município.
Nenhum comentário:
Postar um comentário