A Prefeitura de Ananindeua realizou operações financeiras com o Banco Master entre 2023 e 2025, mesmo após a instituição passar a ser investigada por fraudes, gestão criminosa e risco sistêmico. Os dados estão no Portal da Transparência do município e mostram que a administração do prefeito Dr. Daniel repassou R$165.689,39 ao banco durante o período analisado.
Os valores foram distribuídos da seguinte forma:
2023: R$ 2.598,33
2024: R$ 71.503,31
2025: R$ 91.587,75 (até 24 de novembro)
O crescimento dos repasses nos anos de 2024 e 2025 acontece justamente quando o mercado, órgãos técnicos e o próprio Banco Central já alertavam sobre o risco que o conglomerado Master representava. A insistência da gestão municipal em manter operações com a instituição desperta preocupação e levanta dúvidas sobre os critérios adotados pela prefeitura.
Dezoito estados e municípios brasileiros investiram um total de R$1,86 bilhão em aplicações no Banco Master. No Pará, porém, a situação de Ananindeua é isolada. Não há registro de que o Governo do Estado ou qualquer outra prefeitura tenha realizado operações com o banco. A única administração que manteve negócios com o Master foi a do prefeito Dr. Daniel.
Entenda o caso
O Banco Master entrou em colapso depois da deflagração da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que descobriu um esquema baseado na emissão de carteiras de crédito falsas e na venda desses ativos como se fossem verdadeiros. As investigações apontam crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa e criação de créditos fictícios para inflar balanços.
O dono e presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso no dia 18 de novembro de 2025 enquanto tentava embarcar em um aeroporto para deixar o país. O rombo estimado pelas autoridades chega a R$12 bilhões em créditos inexistentes. Diante da gravidade da situação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Apesar de todos esses alertas e do risco evidente, a Prefeitura de Ananindeua manteve relações comerciais com o Banco Master e continuou realizando repasses mesmo com a crise se aprofundando e o banco já sendo alvo de investigações por fraudes de grande escala.
Este não é o primeiro escândalo envolvendo a prefeitura de Ananindeua. Em agosto de 2025 a Operação Hades identificou indícios de licitações fraudadas no município, com rombos superiores a 100 milhões de reais e suspeitas de bens pagos ao prefeito e a aliados. A ação resultou no bloqueio de mais de 500 milhões de reais em patrimônio do Dr. Daniel e seus aliados próximos.
Ao mesmo tempo em que a prefeitura realizava operações com um banco investigado pela Justiça, encerrou parcerias com hospitais que dependiam de verbas do SUS já destinadas, mas que não foram repassadas pelo município. Também enfrenta problemas em licitações de coleta de lixo e outras denúncias que somam um histórico crescente de irregularidades e denúncias na gestão do Dr. Daniel.
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